sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quando sou fraco é que sou forte






II Coríntios, 12

1.Importa que me glorie? Na verdade, não convém! Passarei, entretanto, às visões e revelações do Senhor.
2.Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe.
3.E sei que esse homem - se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe -
4.foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir.
5.Desse homem eu me gloriarei, mas de mim mesmo não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas.
6.Pois, ainda que me quisesse gloriar, não seria insensato, porque diria a verdade. Mas abstenho-me, para que ninguém me tenha em conta de mais do que vê em mim ou ouve dizer de mim.
7.Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade.
8.Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim.
9.Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.
10.Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.
11.Tenho-me tornado insensato! Vós a isso me obrigastes. Vós é que deveríeis fazer o meu elogio, visto que em nada fui inferior a esses eminentes apóstolos, se bem que nada sou.
12.Os sinais distintivos do verdadeiro apóstolo se realizaram em vosso meio através de uma paciência a toda prova, de sinais, prodígios e milagres.
13.Em que fostes inferiores às outras igrejas, senão no fato de que a vós não vos fui pesado? Relevai-me esta injúria!...
14.Eis que estou pronto a ir ter convosco pela terceira vez. Não vos serei oneroso, porque não busco os vossos bens, mas sim a vós mesmos. Com efeito, não são os filhos que devem entesourar para os pais, mas os pais para os filhos.
15.De mui boa vontade darei o que é meu, e me darei a mim mesmo pelas vossas almas, ainda que, amando-vos mais, seja menos amado por vós.
16.Mas seja! Não vos fui pesado. Como, porém, sou esperto, apanhei-vos pela astúcia...
17.Acaso tirei proveito de vós por meio de algum daqueles que vos enviei?
18.Roguei a Tito, e com ele enviei um irmão que conheceis. Por acaso tirou Tito de vós alguma coisa? Não andamos nós com o mesmo espírito, sobre as mesmas pegadas?
19.Já há muito pensais que nos justificamos diante de vós. Perante Deus, em Cristo, é que nós falamos; mas tudo isto, meus caríssimos, para vossa edificação.
20.Temo que, quando for, não vos ache quais eu quisera, e que vós me acheis qual não quereríeis. Receio encontrar entre vós contendas, invejas, rixas, dissensões, calúnias, murmurações, arrogâncias e desordens.
21.Receio que à minha chegada entre vós Deus me humilhe ainda a vosso respeito; e tenha de chorar por muitos daqueles que pecaram e não fizeram penitência da impureza, fornicação e dissolução que cometeram.

Bíblia Ave Maria - Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Novembro


Estou triste. Essa imagem me dá esperança.... Esperança de uma vida futura muito além do nada e do vazio desse mundo.

Essa imagem representa para mim: Cristo o centro da vida.
A vida continua sendo envolta de sofrimento e tudo mais, mas com a certeza da vitória, com a certeza de que não é em vão.

Essa condição de seres humanos é bela porque Deus criou realmente um ser repleto de possibilidades, somos imagem e semelhança de Deus e ao nos criar exclamou que somos bons, mas é pela nossa fragilidade que caímos e mostramos como podemos ser vazios e dilacerar a beleza com que Deus nos preencheu. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade e o que é está vida senão sofrimento, dor e vaidade.

Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e que aumenta a ciência, aumenta a dor. Ecle 1, 18

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Maria Francisca Teresa Martin


Tampouco desejo o sofrimento nem a morte embora ame os dois, mas é só o
amor que me atrai... Durante muito tempo os desejei; tive o sofrimento e pensei
ter tocado as margens do Céu; pensei que a florzinha seria colhida na sua
primavera... agora, só o abandono me guia, não tenho outra bússola!... Não
posso pedir mais nada com ardor, exceto o cumprimento perfeito da vontade de
Deus para minha alma, sem que as criaturas possam opor obstáculo. Posso dizer
essas palavras do cântico espiritual do Nosso Pai são João da Cruz: "No celeiro
interior, do meu Amado, bebi e quando saí, em toda essa planície, não conhecia
mais nada e perdi o rebanho que eu seguia antes... Minha alma pôs-se com
todos os seus recursos a seu serviço. Não guarda mais rebanho algum, não
tenho outro ofício, porque agora meu exercício todo consiste em amar!" Ou ainda:
"Desde que o experimentei, o AMOR é tão poderoso em obras que sabe tirar
proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em mim e transformar minha
alma em si." Ó Madre querida! Como é doce o caminho do amor. Sem dúvida,
pode-se cair, podem-se cometer infidelidades, mas sabendo o amor tirar proveito
de tudo tem consumido logo tudo o que possa desagradar a Jesus, deixando
apenas uma humilde e profunda paz no fundo do coração...

Manuscrito "A" - História de uma alma

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Santos Anjos

Pelo calendário litúrgico romano
Dia 29 de setembro: São Miguel, São Gabriel e São Rafael, Arcanjos
Dia 02 de outubro : Santos Anjos da guarda

A antífona no ofício divino diz:
Louvemos o Senhor, a quem os anjos louvam,
os querubins e os serafins
cantam: Santo, Santo, Santo.


e
O Senhor enviará o seu anjo junto a ti,
para guiar o teu caminho.

Por isso esta noite apresento uma dica de onde encontrar informações, orações, etc de uma associação dirigida pela Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz que promove a devoção aos santos Anjos.

Quem se interessa pela espiritualidade dos anjos encontra muito material interessante, inclusive sobre o magistério da igreja e os anjos, pode acessar no site da obra : http://www.opusangelorum.org/pt/


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A paz de espírito

Todos os pensamentos que nos trazem inquietação e agitação de espírito não vem absolutamente de Deus, que é o príncipe da paz. são portanto tentações do inimigo; por isso é preciso rejeitá-los e não levá-los em conta.
É preciso em tudo e em toda parte viver pacificamente. Quando nos sobrevém um sofrimento, interior ou exterior, é preciso recebê-lo pacificamente. Quando é a alegria que nos vem visitar, também devemos recebê-la pacificamente, sem sobressaltar-nos. Devemos fugir do mal, mas deve ser pacificamente, sem perturbar-nos, pois de outra forma, fugindo, poderíamos cair e dar oportunidade ao inimigo de nos extenuar. Se devemos fazer o bem, é preciso fazê-lo pacificamente; de outra forma cometeríamos muitas faltas apressando-nos; até mesmo tratando-se da penitência, é preciso fazê-la pacificamente. Como dizia o penitente: Eis que minha amargura tão amarga se transformou em paz (Is 38,17)
Julguei que seria extremamente útil fazeres o possível para manter tua alma em paz e em tranquilidade; para isto é preciso que de manhã, ao levantar, comeces este exercício fazendo tuas ações com calma, pensando no que tens a fazer no decorrer da manhã, tomando cuidado para não deixar distrair teu espírito ao longo do dia; observa sempre se estás neste estado de tranquilidade; e, logo que estiveres fora dele, toma um grande cuidade de voltar a ele, e isto sem discurso nem esforço.
No entanto, não quero dizer que deves fazer um esforço contínuo do espírito para manter-te nesta paz; porque é preciso que tudo isto se faça com uma simplicidade de coração amoroso, mantendo-te junto de Nosso Senhor, como uma criancinha junto de seu pai; e quando cometeres faltas sejam quais forem, pede tranquilamente perdão a Nosso Senhor, dizendo-lhe que estás bem certo de que ele te ama muito e que te perdoará; e isto sempre com simplicidade e doçura (Opusc., VI, 506)
São Francisco de Sales

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Misericordias Domini in aeternum cantabo

Exaltação da Santa Cruz...

" A cruz significa ruptura, em certo sentido, com o razoável, o prudente segundo o mundo. Convida a uma ascenção cujos últimos degraus forçam a franquear um nível em que se tem impressão de, humanamente, ficar perdidos. Por isso, ele parece uma loucura, aos olhos da prudência humana, que não quer arriscar por um além longínquo os bens que, aqui, se lhe oferecem tão a mão. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei tudo a mim. (Jo 12, 32-33)

A cruz arrasta, a cruz une o céu à terra, a cruz abençoa com os braços abertos, a cruz ensina o caminho da vitória. A cruz demonstra ao homem até onde chegou a malícia do seu pecado, até que ponto se extremou o amor de Deus.
"

Por isso eternamente cantarei a misericórdia do Senhor! Teve compaixão de nós, não olhou nossos pecados, mas a sinceridade de nosso propósito de emenda. Não olhou nossas quedas, mas os pequenos passos em direção ao seu caminho. Não olhou nossa fraqueza e pouca fé, mas a contrição de um coração arrependido. Não olhou nossa indignidade, mas examinou nosso coração para acolher mesmo o mais minúsculo raio luminoso de fé.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dilata meu coração

“Quanto mais eu Te amo, parece-me que menos Te amo – exclama Santa Francisca Xavier Cabrini – porque eu quereria mais. Mas não posso mais... dilata, dilata o meu coração...”


Senhor,

Como és maravilhoso.... Quisera eu glorificá-lo com minha vida, de algum modo ser agradável a Tí. Aceita minha oferta nesse dia. Aceita meu oferecimento.

Recebe Senhor minha alma, meu coração. Transforma coração de pedra em coração de carne, me ensina a amar. Que cada batida do meu coração seja um sinal dessa oferta e que me faça recordar o compromisso de permanecer todos os instantes da minha vida no teu amor. Esteja onde estiver que meu coração permaneça ligado ao Teu. Que cada irmão que encontrar pelo caminho possa compartilhar do Teu amor resplandecente que enche minha alma de doce jubilo.

Meu Deus, meu tudo, dá me a graça de permanecer no teu amor e amar meus irmãozinhos, especialmente os que mais precisarem.


Assim seja!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Desprezo a toda criatura para se chegar ao criador

Senhor, muita graça ainda me é necessária para chegar a tal ponto, que nenhum homem nem criatura alguma me possa estorvar. Pois, enquanto me detém alguma coisa, não posso voar à vós livremente. Aspirava a esta liberdade o profeta, quando dizia: Quem me dera asas como a pomba, para poder voar e descansar! (Sl 54,7). Que há de mais sereno que o olhar singelo, e quem é mais livre que o homem sem desejo terrestre? Por isso importa elevares-te acima de todas as criaturas, e renunciares totalmente a ti mesmo, e naquele arroubo da alma perseverares e compreenderes que o Autor de todas as coisas não tem semelhança com as criaturas. E quem não estiver desprendido das criaturas, não poderá livremente atender às coisas divinas. Por isso se encontram tão poucos contemplativos, porque raros são os que sabem desapegar-se de todo das coisas perecedoras.

Para isso é mister graça poderosa, que levante a alma e a arrebate acima de si mesma. Enquanto o homem não for elevado em espírito, livre de todas as criaturas e todo unido a Deus, pouco vale quanto sabe e quanto possui. Imperfeito permanecerá por muito tempo e preso à terra quem algo estimar que não seja o único, imenso e terno Bem. Porque tudo que não é Deus é nulo, e deve ser tido em conta de nada. Há grande diferença entre a sabedoria de um homem iluminado e devoto e a ciência de um letrado e estudioso. Muito mais nobre é a doutrina que vem do céu, por inspiração divina, do que aquilo que o engenho humano adquire à custa de muito esforço.

Tomás de Kémpis

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Ad augusta per angusta

Senhor, meu Deus, não permitas que as preocupações desta vida se tornem empecilho na caminhada para Ti. Mantém-me longe das coisas pelas quais anseia a vaidade do mundo. Liberta-me também das misérias que dolorosamente pesam sobre mim. Guarda-me dos maus pensamentos que falsificam a tua imagem, e podem levar-me a dizer: «Estou a ser tentado por Deus». Faz-me compreender e integrar na minha vida o ensinamento do teu apóstolo Tiago, que diz: «Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém; Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e seduz». Tu és bondade. De Ti só vêm pensamentos bons e generosos. Tu és o Pai maravilhoso, que «nos gerastes com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das tuas criaturas». A Ti o louvor e a glória para sempre! Amen.

domingo, 15 de agosto de 2010

Adoro-te com devoção

Eu te adoro com afeto, Deus oculto,
que te escondes nestas aparências.
A ti sujeita-se o meu coração por inteiro
e desfalece ao te contemplar.
A vista, o tato e o gosto não te alcançam,
mas só com o ouvir-te firmemente creio.
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus,
nada mais verdadeiro do que esta Palavra da Verdade.
Na cruz estava oculta somente a tua divindade,
mas aqui se esconde também a humanidade.
Eu, porém, crendo e confessando ambas,
peço-te o que pediu o ladrão arrependido.
Tal como Tomé, também eu não vejo as tuas chagas,
mas confesso, Senhor, que és o meu Deus;
faz-me crer sempre mais em ti,
esperar em ti, amar-te.
Ó memorial da morte do Senhor,
pão vivo que dás vida ao homem,
faz que meu pensamento sempre de ti viva,
e que sempre lhe seja doce este saber.
Senhor Jesus, terno pelicano,
lava-me a mim, imundo, com teu sangue,
do qual uma só gota já pode
salvar o mundo de todos os pecados.
Jesus, a quem agora vejo sob véus,
peço-te que se cumpra o que mais anseio:
que vendo o teu rosto descoberto,
seja eu feliz contemplando a tua glória.

Santo Tomas de Aquino

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Algumas palavras de Amor: O Amor não é amado

Palavras da Mãe à esposa (escolhida e muito amada, Santa Brígida) descrevendo a excelência de seu Filho; sobre como Cristo é agora mais duramente crucificado por seus inimigos, os maus cristãos do que pelos judeus e sobre como, em consequência, essas pessoas receberão um castigo mais duro e amargo.
LIVRO 1 - CAPÍTULO 37

Bem, primeiro o colocam sobre a cruz que prepararam para Ele, isto é, quando não têm em conta os preceitos de seu Criador e Senhor. Depois o desonram quando Ele os adverte através de seus servos, desprezando as advertências e fazem o que lhes apetece. Crucificam sua mão direita confundindo justiça e injustiça ao dizer: ‘O pecado não é tão grave nem odioso para Deus como se diz, nem Deus castiga ninguém para sempre, mas suas ameaças são para assustar-nos.
Por que haveria de redimir-nos se quisesse que morrêssemos?’ Eles não consideram que até o mínimo pecado no qual uma pessoa se deleita é suficiente para entregar ele ou ela ao castigo eterno. Posto que Deus não deixa que nem o mínimo pecado fique sem castigo, nem o mínimo bem sem recompensa, eles serão castigados sempre que mantenham a intenção constante de pecar e meu Filho, que vê seus corações, conta isso como um ato. Pois, se meu Filho o permitisse, eles realizariam obras segundo suas intenções.
Crucificam sua mão esquerda convertendo a virtude em vício. Querem continuar pecando até o fim, dizendo: ‘Se, ao final, uma única vez dissermos: ”Deus tem misericórdia de mim”, a misericórdia de Deus é tão grande, que Ele nos perdoará’. O querer pecar sem emendar-se, querer a recompensa sem lutar por ela, não é virtude, a menos que haja algo de contrição em seu coração, ou ao menos que a pessoa deseje realmente emendar seu caminho, sempre que não o impeça uma enfermidade ou qualquer outra condição.
Crucificam seus pés comprazendo-se no pecado, sem pensar, uma única vez, no amaríssimo castigo de meu Filho, nem dar-lhe graças de coração, dizendo: ‘Senhor, quão amargamente sofreste! Louvado sejas por tua morte!’ Tais palavras nunca saem de seus lábios. Coroam-no com uma coroa de escárnios ao zombar de seus servos e considerar inútil seu serviço. Dão a ele fel para beber quando se deleitam e se comprazem em pecar. Nunca sentem no coração quão sério e multifacetado é o pecado. Transpassam seu lado quando têm a intenção de perseverar no pecado.
Digo-te, em verdade, e se o podes dizer a meus amigos, que para meu Filho essas pessoas são mais injustas que aquelas que o sentenciaram, piores inimigos que aqueles que o crucificaram, mais sem vergonha que aqueles que o venderam. A eles os espera maior castigo que aos outros. De fato, Pilatos supôs muito bem que meu Filho não tinha pecado e que não merecia a morte. Entretanto, por medo de perder o poder temporal e pela insistência dos judeus, ainda relutante, teve que sentenciar meu Filho à morte. Que temeriam estas pessoas que o serviram? Ou que honra ou privilégio perderiam se o honrassem?
Eles receberão, pois, uma sentença mais dura por ser piores que Pilatos na consideração de meu Filho. Pilatos o sentenciou por medo, submetendo-se ao pedido e intenções de outros. Estas pessoas o sentenciam por seu próprio benefício e sem medo algum, desonrando-o pelo pecado do qual poderiam abster-se, se assim o quisessem. Mas eles não se abstêm de pecar nem se envergonham de terem cometido pecados, pois não percebem que não merecem nem a mínima consideração daquele a quem eles não servem. São piores que Judas, pois Judas, depois de ter traído o Senhor, reconheceu que Jesus era mesmo Deus e que havia pecado gravemente contra Ele. Desesperou-se, entretanto, e se precipitou ao inferno pensando que já não merecia viver. Mas estas pessoas reconhecem seu pecado e, ainda assim, perseveram nele, sem arrependimento em seus corações. No entanto, desejam arrebatar a Deus o Reino dos Céus por uma espécie de força e violência, crendo que o possam conseguir, não por seus feitos, mas por sua vã esperança, vã porque não se o dará a ninguém mais, que aos que trabalham e fazem algum sacrifício para o Senhor. São piores que os que o crucificaram. Quando viram as boas obras de meu Filho, como a ressurreição da morte ou a cura de leprosos, pensaram em seu interior: ‘Este opera maravilhas inauditas e inusitadas, superando facilmente a todos com uma só palavra, conhecendo nossos pensamentos, fazendo tudo o que deseja.
Se continuar assim, teremos que nos submeter a seu poder e ser seus servos’. Por isso, em lugar de submeter-se a Ele, o crucificam com sua inveja. Mas se soubessem que Ele é o Rei da Glória, nunca o teriam crucificado. Por outro lado, essas pessoas veem cada dia suas grandes obras e milagres e se aproveitam de sua bondade. Escutam como têm que servi-lo e se acercam Dele, mas em seu interior pensam: ‘Seria duro e insuportável renunciar a nossos bens temporais para fazer sua vontade e não a nossa’. Por isso, desprezam a vontade Dele, colocam acima seus desejos egoístas e crucificam meu Filho por sua teimosia, acumulando pecado sobre pecado contra suas próprias consciências. São piores que seus carrascos, pois os judeus agiram por inveja e não sabiam que Ele era Deus. Estes, porem, sabem que é Deus e, por maldade, presunção e cobiça, o crucificam, em um sentido espiritual, mais duramente que os que crucificaram fisicamente seu corpo, pois estas pessoas já foram redimidas e aquelas ainda não eram. Assim, pois, esposa, obedece e teme a meu Filho, pois tudo o que Ele tem de misericordioso Ele tem também de justo!”

O SENHOR ENTÃO SUPLICOU-LHE
PACIENCIA
OBEDIENCIA
ALEGRIA

As coisas temporais, que parecem as mais desejadas por todos agora,
não podem satisfazer a natureza humana a não ser melhor avivar o desejo
de buscar mais e mais coisas. Minhas palavras e meu amor, entretanto,
satisfazem os homens e os enchem de abundante consolação. Por isso,
esposa minha, que és uma das minhas ovelhas, cuida-te de manter a
paciência e a obediência. És minha por direito e, por isso, deves seguir
minha vontade. Uma pessoa que deseja seguir a vontade de outra faz três
coisas: primeiro, tem o mesmo pensamento que a outra, segundo, age de
forma similar, terceiro, se mantém longe dos inimigos da outra. Quem são
meus inimigos senão o orgulho e cada um dos pecados? Por isso, mantemte
longe deles se desejas seguir minha vontade”.

UMA PESSOA QUE DESEJA SEGUIR A VONTADE DE OUTRA FAZ TRES COISAS:

PRIMEIRO, TEM O MESMO PENSAMENTO QUE A OUTRA, SEGUNDO, AGE DE FORMA SIMILAR, TERCEIRO, SE MANTEM LONGE DOS INIMIGOS DA OUTRA. QUEM SÃO MEUS INIMIGOS SENAO O ORGULHO E CADA UM DOS PECADOS? POR ISSO MANTEM-TE LONGE DELES SE DESEJAS SEGUIR MINHA VONTADE.

NENHUM SOLDADO PODE AGRADAR A SEU SENHOR E SER BEM RECEBIDO DE NOVO DEPOIS DE UM DESLIZE, A MENOS QUE PRIMEIRO SE HUMILHE PARA REPARAR SUA OFENSA.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Reconciliação e conversão




B.11.10 Sacramento da Reconciliação e bens da vida divina

§1468

"Toda a força da Penitência reside no fato de ela nos reconstituir na graça de Deus e de nos unir a Ele com a máxima amizade." Portanto, a finalidade e o efeito deste sacramento é a reconciliação com Deus. Os que recebem o sacramento da Penitência com coração contrito e disposição religiosa "podem usufruir a paz e a tranqüilidade da consciência, que vem acompanhada de uma intensa consolação espiritual". Com efeito, o sacramento da Reconciliação com Deus traz consigo uma verdadeira "ressurreição espiritual", uma restituição da dignidade e dos bens da vida dos filhos de Deus, entre os quais o mais precioso é a amizade de Deus (Cf Lc 15,32).

§1469.

Este sacramento nos reconcilia com a Igreja. O pecado fende ou quebra a comunhão fraterna. O sacramento da Penitência a repara ou restaura. Neste sentido, ele não cura apenas aquele que é restabelecido na comunhão eclesial, mas tem também um efeito vivificante sobre a vida da Igreja, que sofreu com o pecado de um de seus membros. Restabelecido ou confirmado na comunhão dos santos, o pecador sai fortalecido pela participação dos bens espirituais de todos os membros vivos do Corpo de Cristo, quer estejam ainda em estado de peregrinação, quer já estejam na pátria celeste:

Não devemos esquecer que a reconciliação com Deus tem como conseqüência, por assim dizer, outras reconciliações capazes de remediar outras rupturas ocasionadas pelo pecado: o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no íntimo mais profundo de seu ser, onde recupera a própria verdade interior; reconcilia-se com os irmãos que de alguma maneira ofendeu e feriu; reconcilia-se com a Igreja; e reconcilia-se com toda a criação.

C.75.21 Mal caminho para conversão

§385 Deus é infinitamente bom e todas as suas obras são boas. Todavia, ninguém escapa à experiência do sofrimento, dos males existentes na natureza que aparecem ligados às limitações próprias das criaturas e, sobretudo, à questão do mal moral. De onde vem o mal? "Eu perguntava de onde vem o mal e não encontrava saída", diz Santo Agostinho, e sua própria busca sofrida não encontrará saída, a não ser em sua conversão ao Deus vivo. Pois "o mistério da iniquidade" (2 Ts 2,7) só se explica à luz do "Mistério da piedade". A revelação do amor divino em Cristo manifestou ao mesmo tempo a extensão do mal e a superabundância da graça. Precisamos, pois, abordar a questão da origem do mal fixando o olhar de nossa fé naquele que, e só Ele, é o Vencedor do mal.

§1502 O homem do Antigo Testamento vive a doença diante Deus. E diante de Deus que ele faz sua queixa sobre a enfermidade, e é dele, o Senhor da vida e da morte, que implora a cura . A enfermidade se toma caminho de conversão e o perdão de Deus de início à cura. Israel chega à conclusão de que a doença, de uma forma misteriosa, está ligada ao pecado e ao mal e que a fidelidade a Deus, segundo sua Lei, dá a vida: "Porque eu sou Iahweh, aquele que te restaura" (Ex 15,26). O profeta entrevê que o sofrimento também pode ter um sentido redentor para os pecados dos outros (Cf Is 53,11). Finalmente, Isaias anuncia que Deus fará chegar um tempo para Si o em que toda falta será perdoada e toda doença ser curada (Cf Is 33,24).