segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ausência

Escrevo no limiar entre o querer e o não querer. Dessa vez prevaleceu o querer, por isso escrevo... Entre mil sentimentos, coisas que eu gostaria de dizer e não disse, coisas que seriam melhores se não ditas, coisas que sinto e preferia não sentir, coisas disformes por isso inexprimíveis.

Escrevo por mim e para mim (para o que me pertence até o ponto em que é suportável enxergar). Prefiro não pensar em consequências fáticas, lógicas ou hipotéticas, prefiro não pensar nos “porquês”. Apenas escrevo para me expressar (é possível?), ou melhor, tentar expressar uma parte de mim que agoniza e parte para longe. Jogar com as palavras me aventurando no clichê cafona de tentar “expressar o inexpressível”.

Paradoxal? Ambíguo? Me defino no espaço entre o risco e o contraditório tentando compreender essas contradições essenciais que me definem. Escrevo no fluxo, sei que o enigma permanece. As coisas não se desvelam para mim, confusas ainda, dispersas...

Dentro de mim lembranças, sonhos, desejos, anseios, memórias, saudades... Daquilo que foi e, para mim, ainda é (me pergunto se algum dia deixará de ser). Entre a certeza do hoje e a sombra do ontem minha razão vacila e o jeito é viver o dia de hoje sem pensar no ontem nem no amanhã. Só por hoje, só por hoje... 

Passaram os momentos, os questionamentos permanecem: evasivos/invasivos. Perguntas encerradas na ausência de respostas, encerradas no eco desse silêncio sepulcral. Ausência. Viver é sentir ausência? Pra mim há tempos tem sido. É o barulho ensurdecedor do silêncio: uma resposta brutalmente clara. Tão clara, tão óbvia, tão escancarada, tão verdadeira que esvai qualquer possibilidade de autoengano (traiçoeira ilusão desfaz-se). Ou seja, agonia envolta em súplica: — Estúpida ilusão que ainda vagueia em meus devaneios, por favor, me deixe!