Todos os pensamentos que nos trazem inquietação e agitação de espírito não vem absolutamente de Deus, que é o príncipe da paz. são portanto tentações do inimigo; por isso é preciso rejeitá-los e não levá-los em conta.
É preciso em tudo e em toda parte viver pacificamente. Quando nos sobrevém um sofrimento, interior ou exterior, é preciso recebê-lo pacificamente. Quando é a alegria que nos vem visitar, também devemos recebê-la pacificamente, sem sobressaltar-nos. Devemos fugir do mal, mas deve ser pacificamente, sem perturbar-nos, pois de outra forma, fugindo, poderíamos cair e dar oportunidade ao inimigo de nos extenuar. Se devemos fazer o bem, é preciso fazê-lo pacificamente; de outra forma cometeríamos muitas faltas apressando-nos; até mesmo tratando-se da penitência, é preciso fazê-la pacificamente. Como dizia o penitente: Eis que minha amargura tão amarga se transformou em paz (Is 38,17)Julguei que seria extremamente útil fazeres o possível para manter tua alma em paz e em tranquilidade; para isto é preciso que de manhã, ao levantar, comeces este exercício fazendo tuas ações com calma, pensando no que tens a fazer no decorrer da manhã, tomando cuidado para não deixar distrair teu espírito ao longo do dia; observa sempre se estás neste estado de tranquilidade; e, logo que estiveres fora dele, toma um grande cuidade de voltar a ele, e isto sem discurso nem esforço.
No entanto, não quero dizer que deves fazer um esforço contínuo do espírito para manter-te nesta paz; porque é preciso que tudo isto se faça com uma simplicidade de coração amoroso, mantendo-te junto de Nosso Senhor, como uma criancinha junto de seu pai; e quando cometeres faltas sejam quais forem, pede tranquilamente perdão a Nosso Senhor, dizendo-lhe que estás bem certo de que ele te ama muito e que te perdoará; e isto sempre com simplicidade e doçura (Opusc., VI, 506)
São Francisco de Sales
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