quinta-feira, 19 de julho de 2012

Santo Inácio e as desolações

Transcrevo nesta página os conselhos de Santo Inácio de Loiola para os tempos de desolação registrados em sua célebre obra "Exercícios Espirituais":

317 – Quarta [regra]. Desolação espiritual. Chamo desolação a todo o contrário da terceira regra, como obscuridade da alma, perturbação, inclinação a coisas baixas e terrenas, inquietação proveniente de várias agitações e tentações que levam a falta de fé, de esperança e de amor; achando-se [a alma] toda preguiçosa, tíbia, triste, e como que separada de seu Criador e Senhor. Porque assim como a consolação é contrária à desolação, da mesma maneira os pensamentos que provêm da consolação são contrários aos pensamentos que provêm da desolação.
318 – Quinta [regra]. Em tempo de desolação, nunca fazer mudança, mas estar firme e constante nos propósitos e determinação em que estava, no dia anterior a essa desolação, ou na determinação em que estava na consolação antecedente. Porque, assim como, na consolação, nos guia e aconselha mais o bom espírito, assim, na desolação, [nos guia e aconselha] o mau, com cujos conselhos não podemos tomar caminho para acertar.
319 – Sexta [regra]. Uma vez que no tempo de desolação não devemos mudar as resoluções anteriores, aproveita muito reagir intensamente contra a mesma desolação, por exemplo insistindo mais na oração, na meditação, em examinar-se muito e em alargar-nos nalgum modo conveniente de fazer penitência.
320 – Sétima [regra]. O que está em desolação considere como o Senhor o deixou em prova, nas suas potências naturais, para que resista às várias agitações e tentações do inimigo; pois pode [fazê-lo] com o auxílio divino, que sempre lhe fica, ainda que o não sinta claramente; porque o Senhor lhe subtraiu o seu muito fervor, o grande amor e a graça intensa, ficando-lhe contudo graça suficiente para a salvação eterna.
321 – Oitava [regra]. O que está em desolação trabalhe por manter-se na paciência que é contrária às vexações que lhe advêm, e pense que será depressa consolado, se puser as diligências contra essa desolação, como se disse na Sexta regra.
322 – Nona [regra]. Três são as causas principais por que nos achamos desolados: A primeira é por sermos tíbios, preguiçosos ou negligentes em nossos exercícios espirituais. E assim, por nossas faltas, se afasta de nós a consolação espiritual. A segunda, para nos mostrar de quanto somos capazes e até onde nos alargamos no seu serviço e louvor, sem tanto dispêndio de consolações e grandes graças. A terceira, para nos dar verdadeira informação e conhecimento, com que sintamos internamente que não depende de nós fazer vir ou conservar devoção grande, amor intenso, lágrimas nem nenhuma outra consolação espiritual, mas que tudo é dom e graça de Deus nosso Senhor. E para que não façamos ninho em propriedade alheia, elevando o nosso entendimento a alguma soberba ou vanglória, atribuindo a nós a devoção ou as outras formas de consolação espiritual.

domingo, 8 de julho de 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sobre amor, mentiras e orgulho



Completo vinte e cinco anos de vida amanhã... Vi, vivi, aprendi algumas coisas nesse tempo de existência. Hoje compartilharei fraquezas e certezas que me inspiraram a sair um pouco do meu casulo.
Luto com bravura para impedir o triunfo da mesquinhez da minha alma só que não posso evitar o desgosto de ainda não ter aprendido a amar de verdade. As lições que a vida me impôs mostraram que o amor transcende o desgosto e que por mais doloroso que seja sentir-se uma sombra, sempre há algo de proveitoso nas decepções.
Mesmo sabendo que no fundo da minh’alma sinto-me humilhada por essas paixões mundanas, o crescimento se dá através do reconhecimento e da luta para ser uma pessoa melhor... O que me impede de avançar é o apego insistente ao olhar dos outros, uma necessidade de aceitação que não se justifica e acaba sendo a base de um orgulho estúpido e desnecessário.
Estúpido porque sou nada e essa cegueira espiritual me impede o crescimento na medida em que não enxergo minha própria desfaçatez.
Desnecessário porque como um fardo pesado ocupa o lugar precioso que se destina a prática da virtude sem a qual não é possível aprender a amar.
            Ser mais transparente, mais vulnerável, mais sincero auxilia esse processo de transfiguração dos sentimentos. Odeio meias palavras, palavras mal ditas, palavras “meia-boca”, meias verdades.
            A sinceridade cruel é mais benéfica que a mentira consoladora. Se transformar a dor em sofrimento (no sentido bíblico) através da verdade é necessário para a purificação de nossas vontades eu opto pela verdade crua. A mentira é um veneno que mata a bondade das pessoas, pois corrompe sua essência.
            A paixão é um autoengano que aumenta as qualidades e virtudes do outro aos nossos olhos e afasta dos pensamentos a imagem real daquele ser. A lente da paixão distorce o que vemos e cria uma mentira reconfortante.
Quando aceito e encaro a realidade estou me respeitando.
Quando não aceito, estou mentindo por não conseguir encarar minha própria dor e aceitá-la como fruto dos meus apegos...
            Devemos abraçar a humildade e ter consciência de nossas fraquezas sabendo que elas nos trarão dor muitas vezes ao longo desta vida.