Escrevo
no limiar entre o querer e o não querer. Dessa vez prevaleceu o
querer, por isso escrevo... Entre mil sentimentos, coisas que eu
gostaria de dizer e não disse, coisas que seriam melhores se não
ditas, coisas que sinto e preferia não sentir, coisas disformes por
isso inexprimíveis.
Escrevo
por mim e para mim (para o que me pertence até o ponto em que é
suportável enxergar). Prefiro não pensar em consequências fáticas,
lógicas ou hipotéticas, prefiro não pensar nos “porquês”.
Apenas escrevo para me expressar (é possível?), ou melhor, tentar
expressar uma parte de mim que agoniza e parte para longe. Jogar com
as palavras me aventurando no clichê cafona de tentar “expressar o
inexpressível”.
Paradoxal? Ambíguo? Me defino no espaço entre o risco e o
contraditório tentando compreender essas contradições essenciais
que me definem. Escrevo no fluxo, sei que o enigma permanece. As
coisas não se desvelam para mim, confusas ainda, dispersas...
Dentro
de mim lembranças, sonhos, desejos, anseios, memórias, saudades...
Daquilo que foi e, para mim, ainda é (me pergunto se algum dia
deixará de ser). Entre a certeza do hoje e a sombra do ontem minha
razão vacila e o jeito é viver o dia de hoje sem pensar no ontem
nem no amanhã. Só por hoje, só por hoje...
Passaram os momentos,
os questionamentos permanecem: evasivos/invasivos. Perguntas
encerradas na ausência de respostas, encerradas no eco desse
silêncio sepulcral. Ausência. Viver é sentir ausência? Pra mim há
tempos tem sido. É o barulho ensurdecedor do silêncio: uma resposta
brutalmente clara. Tão clara, tão óbvia, tão escancarada, tão
verdadeira que esvai qualquer possibilidade de autoengano (traiçoeira
ilusão desfaz-se). Ou seja, agonia envolta em súplica: — Estúpida
ilusão que ainda vagueia em meus devaneios, por favor, me deixe!
Nenhum comentário:
Postar um comentário