quinta-feira, 18 de abril de 2019

Um post de afirmação e negação


Esse post é um misto de negação e afirmação. Negação porque me sinto muito velhinha tentando negar o desejo de escrever postagens narcísicas juvenis em uma tentativa desesperada de auto compreensão que ultrapassa os mecanismos naturais de defesa do ego. Afirmação porque escrever cria essa sensação confortante de existência subversiva ego-imersiva em que seus sentimentos não parecem desvanecer em meio à massa disforme da coletividade.
                Esse espaço é um quadro quase secreto, místico, íntimo. Em todos os impulsos de destruição dos meus rastros na internet esse é um dos poucos espaços em que não consigo atear fogo. É assustadoramente autêntico. Escapa das formatações de um “eu” limpinho e coerente, da tentação de reescrever o próprio passado e manipular a própria história. Vivo, pulsa em todas as cores das minhas contradições.
                Com a idade a necessidade de se definir vai definhando... Os últimos delírios e paranoias, as crises, as incompreensões, as recuperações e o aprendizado, passados em silêncio. Nenhum desejo de externar sequer uma palavra até hoje. Quebro um longo jejum. Tento em vão definir as razões por trás desse ato. Um ato comunicativo sem interlocutor, um manifesto lançado ao vento. Para mim, um registro que poderei rever rabiscado, pichado em um mural público. Transgressor como escrita em porta de banheiro. Incorporado à nuvem de pensamentos que inundam a web.
                É sentimento puro. Raiva. De quem se acha muito complexo pra ser definido em uma palavra, de quem se vê ferido por um olhar intimidado e simplista. Não vou tentar explicar um olhar intimidado. É um olhar justificado em si mesmo e na própria covardia. Como reagir a esse olhar? Devo fechar os olhos e fingir que não vi? Devo ignorar e sufocar minha raiva em auto piedade? Devo responder com um olhar severo? Não! Vou pintar minha raiva em um mural onde ficará exposta ao olhar e ao julgamento de qualquer transeunte. Um caleidoscópio de psicose delirante. Vou criar uma cornucópia recheada de decepção. Vou rasgar as minhas vestes, cobrir-me de cinzas e cantar um fado curioso e obscuro. Vou degradar minha razão e apertar minha loucura em beijos e abraços caprichosos.

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